|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]()
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ROCK | 2011 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() Acidente 2011: Zeca Pereira, Scubi Jenné, Guto Rolim and Paulo Malária Houve uma época em que as
coisas pareceram que iam acontecer. Isto se apllca a quase tudo; no
caso, o assunto é rock brasileiro de garagem. O Acidente,“aquela
banda que ninguém conhece mas todo mundo já ouviu falar”,
foi fundada em 1978 no Rio por estudantes de Jornalismo e chegou
a se destacar no underground carioca; porém depois, à
medida em que lançava seus discos independentes, foi sendo
meticulosamente desinventado pela mídia, junto com muitas outras
bandas na mesma situação, para que meia dúzia de
dez ou vinte apaniguados pudessem ocupar com exclusividade todo o
espaço disponível e, em conseqüência, fruir
sem concorrentes toda a fama e a fortuna que aquele breve idílio
entre o público brasileiro e o rock tivesse a proporcionar.
Existiram duas bandas com o mesmo nome Acidente, diferentes em época e estilo, sem nada em comum exceto o nome e o produtor/tecladista. O segundo Acidente, criado em 1989, tinha uma proposta basicamente instrumental, com influências progressivas, e seu trabalho está bem documentado em CD, tal como a fusão que se seguiu a partir de 2003, com velhos e novos integrantes mantendo viva a chama através de lançamentos esporádicos. Entretanto, o Acidente original, o primeiro e único “Old Aça”, permanecia restrito a antigos vinis - até agora, quando se comemoram 30 anos do primeiro LP do grupo, “Guerra Civil”. Duas bandas de garagem (“conjuntos”, como se dizia na época) deram origem ao Acidente. Na Banda Só Por Uma Noite, formada em 1974, tocavam Guto Rolim, Zeca Pereira e Paulo Malária, fazendo uma mistura de rock básico, baladas e temas difíceis de rotular. Entrementes, Helio “Scubi” Jenné e Raul Branco fabricavam suas óperas-rock setentistas (que nunca vieram a público) sob o nome de Leviathan. Do encontro entre Scubi, Raul e Mala na Escola de Comunicação da UFRJ, em 1977, surgiu o efêmero Os Alegres Compadres de Windsor e, no ano seguinte, o Acidente enfim estreou num conturbado festival universitário em recinto nobre, onde não faltou nenhum ingrediente: gritos, tumulto, insultos, vômito. Estava oficialmente inaugurado o Acidente com sua proposta que se alterou substancialmente ao longo dos anos, da mesma forma que seus membros. Os
tempos que se seguiram foram de intensa criatividade e o Aça se
tornou figurinha fácil em espeluncas noturnas e albergues
universitários, onde seus shows atraíam uma pequena
multidão de rockeiros ávidos por algo diferente e
autêntico, que elevasse seus espíritos a viagens
alucinantes e os abstraísse por algumas horas do fato de viverem
numa ditadura miserável do Terceiro Mundo. O Acidente fazia a
cabeça de seus músicos e de seus fãs. Tudo estava indo bem e um disco parecia ser
a conseqüência natural; contudo, como nenhuma gravadora se
interessasse (durante vários anos, o catálogo de rock
nacional se resumiu a três ou quatro nomes bem manjados), o
tecladista da banda ficou puto, se arvorou em produtor e o resultado da
inexperiência foi o primeiro LP independente de uma banda de rock
carioca: “Guerra Civil”, que saiu em junho de 1981. Na foto, a
formação da época: Mala (teclado, voz), Guto
(baixo), Scubi (guitarra, voz), Zeca (bateria) e o guitarrista Fernando
Sá (o Samuca), que deixou a banda pouco depois para montar seu
próprio grupo. Porque aí a demanda do público
brasileiro por rock estava se tornando irrefreável para os
parcos investimentos que os grandes selos até então
faziam no setor, e novas bandas passaram a espoucar às
dúzias todo dia.![]() Com seu album nas mãos, os membros do Acidente, investidos da função extra de divulgadores, descobriram a realidade: as portas da mídia, impressa e sonora, estavam fechadas para independentes. Quase cada segundo ou milímetro tinha preço, e já estava tudo loteado (nem iríamos pagar...). “Guerra Civil” enfrentou o completo desconhecimento e quase foi queimado em praça pública como protesto, até que um programa (“Poeira e Country”) de uma rádio carioca de grande audiência (98 FM) se encantou pela faixa “O Vaqueiro e a Debutante” e começou a executá-la diariamente, inclusive colocando-a várias vezes no 1° lugar. Isto foi no verão de 1981 para 1982. Ato contínuo, entrou no ar em fase experimental a
Fluminense FM, “a Maldita”, e bastou levar o disco na rádio para
que passassem a programar incessantemente várias faixas. Por
volta do carnaval, a Maldita era a grande novidade entre a juventude
rockeira carioca e o Acidente teve sua chance de ouro. Como algo tinha que ter dado muito errado (ou você não estaria agora lendo o encarte de um modesto disco independente), naquele exato instante, enquanto trocentos neófitos espoucavam, o Aça estava desmobilizado e assim ficou durante preciosos meses. Parafraseando um então candidato a governador, o cavalo passou encilhado uma única vez e o Acidente não o montou. ![]() Nessa nova pátria do Rock, o Acidente se reestruturou e retornou aos palcos com formação modificada, mas encontrando tempos ainda mais bicudos para independentes. O pop-rock nacional tinha se tornado um negócio muito rentável, feudo para poucos lordes. Quando em meados de 1983 a banda voltou a entrar em estúdio para gravar o 2° LP, “Fim do Mundo” (que ia se chamar “Luta Armada” e acabou inadvertidamente epônimo de outro grupo), o lineup já era o básico de sempre: Mala, Zeca, Guto, Scubi. A repercussão foi a esperada: uma pedra jogada num lago... seco. Agora, até quem fizera fama dando espaço a indies já tinha entrado na grande dança. Fazer o quê? Vida que segue. O CD (na época, compacto duplo) “Piolho”, de 1985, veio confirmar que o Acidente tinha sido mesmo uma grande ideia - mas para outros se darem bem. Mais alguns músicos passaram pela banda, que num clima de crescente desânimo ainda se apresentou aqui e ali, até que em 1987 bateu-se o martelo: o momento do Acidente – deste Acidente – “had run its course”. A essa altura, o “rock brasil” já era um cenário drasticamente diverso daquele que bem antes motivara jovens músicos a montarem seus “conjuntos”, e nem se imaginava que um dia o resgate daqules registros insolentes despertasse interesse, como o prova o fato de você estar com este CD. |
Pg 2 e 3 ![]() Pg 4 e 5 ![]() Pg 6 e 7 ![]() Pg 8 e 9 ![]() Pg 10 e 11 ![]() Pg 12 e 13 ![]() Pg 14 e 15 ![]() Pg 16 ![]() PLAYLIST DO ROCK Para escutar, clique no nome da música (uma nova janela vai abrir) Para baixar, clique na seta à direita. |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Topo |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Site: Helio Jenné © 1997/2011 |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||